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terça-feira, 14 de abril de 2009

Nas passarelas do cinema

CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo Diretora do respeitado Studio Berçot, escola de moda parisiense por onde já passaram Azzedine Alaïa, Martine Sitbon e brasileiros como Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço, Marie Rucki deu início, na última segunda (13), a mais uma série de palestras e workshops em São Paulo. Trazida pela Escola São Paulo pela terceira vez à capital paulista (ela já visitou o Brasil em outras ocasiões), desta vez o tema de parte das cinco conversas com a francesa é a relação entre moda e cinema. Assunto que, já na introdução de seu discurso, rendeu frase de deixar fashionistas e cinéfilos apaixonados de cabelos em pé. "A moda, se formos analisar, é como o cinema: não é nada", disse, com a tranquilidade de quem já assimilou a polêmica como fato. A francesa Marie Ruckie, diretora do Studio Berçot de Paris, e o jornalista Fabrice Paineau, em palestra no shopping Iguatemi (SP), nesta segunda (13)O que madame Rucki quis dizer com isso? Talvez, dentro de um contexto contemporâneo em que o supérfluo deva ser deixado de lado, que as duas artes (outra afirmação passível de muita discussão: moda também é arte?), no final das contas, sejam reduzidas a uma importância menor. Ou ainda que o "nada" ao qual ela se refere tenha relação com a grande "invenção", com a essência irreal, de fantasia, que ambos os fenômenos culturais possam suscitar. Mas a diretora do Berçot deixa a frase no ar, para, depois de bater, assoprar com outra declaração. "O cinema é uma forma de arte. Através do excesso, a moda se transformou numa forma de arte", afirma, agora referindo-se à possibilidade da moda ser vista como arte a partir do momento em que deixa seu viés funcional (o de vestir as pessoas) de lado. Durante as duas horas de palestra, divididas com o jornalista francês Fabrice Paineau, professor do Berçot, Marie Rucki levantou muitas questões, com frases que provocam reflexão ("A moda pela moda acabou" ou "O look é a roupa, o estilo é o físico") mas que, talvez por conta do tempo limitado, acabaram não sendo desenvolvidas ou mais aprofundadas. Depois da abertura em que Rucki salientou a conexão entre moda e cinema por meio dos figurinos das produções cinematográficas que invariavelmente são influenciadas (mesmo quando se trata de uma história de época) pelo espírito do vestir e os tipos físicos das atrizes do período, Fabrice Paineau apresentou uma série de imagens de figurinos em filmes clássicos e/ou em atrizes ícones do cinema mundial (Marlene Dietrich, Joan Crawford) com comentários sobre as peças e algumas conexões com estilistas atuais como Marc Jacobs e John Galliano. A importância de figurinistas como Adrian e Edith Head foi salientada. As três versões cinematográficas de "Maria Antonieta", incluindo a última de Sofia Coppola, serviram de exemplo para Marie Rucki mostrar como a época em que o filme é feito pode influenciar em seu resultado final. Com exceção da versão de Coppola, de 2006, as outras (a de Jean Delannoy, de 1956 e a de W.S. Dyke, de 1938) não tiveram seus anos de estréia mencionados, assim como os outros filmes citados, caso de "Salomé" (1923), com figurino assinado por Natasha Rambova, que criou um vestido cujo desenho da estampa é igual ao usado recentemente por Marc Jacobs. Acabou faltando também contextualizar o período de importância do americano Adrian e da francesa Edith Head (o primeiro nos anos 30 e 40, a segunda mais ou menos dos 30 aos 60. Saiba mais sobre os dois no texto de Mario Mendes para a Folha de S.Paulo).

Em clima de bate-papo entre os dois importantes personagens da moda francesa, a palestra da segunda ganhará desdobramento nesta terça quando, às 19h30, a dupla aborda o tema "O cinema como parte integrante do sistema de moda".
A moda é como o cinema: não é nada", diz francesa Marie Rucki em palestra. Novos filmes, como “Maria Antonieta”, ressaltam a importância da relação do cinema com a moda
texto Mario Mendes
fotos Divulgação
Cinema e moda é um casamento dos mais felizes no universo pop. Enquanto estilistas bebem na fonte de Hollywood e adjacências para turbinar suas passarelas, filmes visitam os salões da moda para contar suas histórias. Este ano os dois planetas se encontram em tela grande na comédia do verão americano “O Diabo Veste Prada” e em “Maria Antonieta”, de Sofia Coppola. O cinema brasileiro aproveita a onda e vai de “Zuzu Angel”, sobre a estilista mineira que se engajou politicamente depois do assassinato de seu filho pela ditadura militar.Assim como a moda tem seu panteão de deuses, o figurino de cinema também possui seus eleitos. São os mestres do guarda-roupa, capazes de estabelecer mitos e imprimir imagens antológicas. A seguir, cinco nomes, do cinema mudo até hoje, que se destacam não só como colaboradores de grandes cineastas, mas como criadores de momentos clássicos e looks que todo mundo um dia quis copiar.O costureiro: Adrian (1903-1959)Mais do que simples roupas de cena, o americano Adrian era célebre por criar elaborados trajes de gala (“gowns by Adrian” era como costumava ser creditado) que ajudaram a forjar mitos como Katherine Hepburn, Joan Crawford, Jean Harlow, Norma Shearer e, sua favorita entre todas, Greta Garbo. Por isso, foi o maior figurinista dos anos dourados de Hollywood.Nos anos 20, Adrian estudou design em Nova York e artes plásticas em Paris, onde tomou contato com o mundo da moda. Suas principais armas eram um aguçado senso de estilo, talento para a modelagem com materiais nobres e profundo conhecimento da silhueta feminina. O que seus colegas procuravam disfarçar, ele acentuava. Assim, envelopou a mignon Jean Harlow em longos vestidos fluidos de cetim brilhante, transformando-a na Vênus platinada. E nunca evitou exageros (golas de pele, crinolinas com babados e trajes masculinos) para vestir a deusa de 1,75m Greta Garbo, em todos os filmes.Seu reinado terminou com os orçamentos minguados e os filmes menos luxuosos da Segunda Guerra. Durante dez anos, de 1942 a 1952, teve sua própria butique em Beverly Hills, até que um ataque cardíaco o fez mudar-se com a mulher, a atriz Janet Gaynor, e o filho para o Brasil, onde viveu até ser convocado pela Broadway para vestir o musical “Camelot”. Infelizmente, o coração falhou novamente e ele saiu de cena em 1959, sem nunca ter recebido um Oscar. Além dos filmes de Garbo, seus grandes momentos incluem “Maria Antonieta” (1938), “O Mágico de Oz” (1939), “The Women” (1940) e “Festim Diabólico” (1948).A superstar: Edith Head (1897-1981)Edith Head impressiona pelos números: mais de 500 filmes (ela dizia ter assinado 1.000), 35 indicações ao Oscar, 8 estatuetas e o vestido mais caro de Hollywood. E tudo começou com um blefe. Em 1927, a professora de francês num colégio feminino se apresentou para um cargo no departamento de figurinos dos estúdios Paramount. Não sabia desenhar nem costurar, mas levava uma pasta com croquis feitos por suas alunas. Foi contratada no ato e revelou-se tão dedicada e profissional que assumiu como figurinista-chefe até 1967!Seu primeiro gol foi o sarongue de Dorothy Lamour, em “The Jungle Princess” (1936), copiado no mundo inteiro. Depois veio o vestido com cauda de vison (US$ 50 mil no câmbio de 1943) para Ginger Rogers no musical “Lady in the Dark”. Mais tarde, os figurinos de “A Malvada” (1950), que lhe rendeu um de seus Oscars. Para ter crédito no chique de Audrey Hepburn, assinou sem a menor cerimônia os vestidos feitos por Givenchy, em Paris, para “Sabrina” (1954), e ganhou outro Oscar.Dona de um estilo sóbrio, soberbamente fotografado em technicolor, sua melhor vitrine ainda são os filmes de Hitchcock dos anos 50 e 60: “Janela Indiscreta”, “Um Corpo que Cai”, seu favorito, “Ladrão de Casaca” e “Os Pássaros”. Nos anos 2000 ressuscitou como estampa de selo dos correios do EUA e inspiração para a impagável Edna Moda, do filme de animação “Os Incríveis” (2004).Il maestro: Piero Tosi (1927)Uma unanimidade tanto entre colegas de métier quanto entre fashion designers. Valentino e Giorgio Armani mais de uma vez renderam homenagem ao figurinista que eles chamam de “maestro”. Trabalhando com os três grandes do cinema italiano -Visconti, Fellini e Pasolini-, Piero Tosi revelou talento inigualável para recriar figurinos de época com precisão histórica. O guarda-roupa de “Medéia” (1969), de Pasolini, e “Satyricon” (1969), de Fellini, são algumas de suas criações célebres.Mas foi nos filmes de Visconti -com quem estreou no cinema em “Belíssima” (1951)- que Tosi deixou sua maior e melhor marca. Foi ele quem criou os figurinos de “O Leopardo” (1963). Somente o vestido branco de Claudia Cardinale, na seqüência do baile, já vale a visita. A mesma grandiosidade surge no retrato belle époque de “Morte em Veneza” (1961) e na delirante corte de “Ludwig - A Paixão de um Rei” (1972). Igualmente brilhantes são suas incursões no século 20, como em “Matrimônio à Italiana” (1964), “Arabella” (1967), “O Porteiro da Noite” (1974) e na série “A Gaiola das Loucas” (1978-1985).A rainha punk: Milena CanoneroNa Londres do futuro imaginada por Stanley Kubrick em “Laranja Mecânica” (1971), um grupo de jovens arruaceiros vestem-se com velhas roupas brancas, suspensórios, abotoaduras em forma de globo ocular ensangüentado, coturnos e chapéu coco. Tudo obra da italiana Milena Canonero, em sua primeira incursão como figurinista de cinema.Ela praticamente antecipou o punk em cinco anos e na cor errada - punks amam o preto. Em seguida, Kubrick a enviou em uma viagem pelo século 18. Durante dois anos Milena freqüentou leilões de roupas da época e estudou a pintura do período - principalmente Gainsborough - para conceber “Barry Lyndon” (1975), um dos mais bem vestidos filmes de época de todos os tempos.Foi seu primeiro Oscar (dividido com a assistente Ulla-Britt Söderlund). O segundo veio em 1981, com “Carruagens de Fogo”. Agora ela assina o filme fashion da temporada, “Maria Antonieta”, de Sofia Coppola. A fita foi mal recebida no Festival de Cannes, mas ninguém reclamou dos modelitos da rainha adolescente correndo por Versalhes ao som do New Order.Glam rock: Sandy Powell (1960)Uma verdadeira rebelde, Sandy Powell acha a moda um tédio “porque são apenas roupas”. Sua estréia no cinema foi com o alternativo Derek Jarman em “Caravaggio” (1986), mas chamou atenção mesmo com “Orlando” (1982), viajando da Inglaterra elizabetana aos anos 20 sem perder a batida rock’n’roll da versão de Sally Potter para o clássico de Virginia Wolf.Depois repetiu a dose “túnel do tempo” em “Entrevista com o Vampiro” (1994). Recebeu indicações para o Oscar com a Londres vitoriana de “Nas Asas da Paixão” (1997) e a cena glam rock de “Velvet Goldmine” (1998). Mas ganhou mesmo com “Shakespeare Apaixonado” (1998) e “O Aviador” (2004), onde refez um Adrian para Jean Harlow (Gwen Stefani) em cetim, vison branco e orquídeas. Não podemos esquecer também a ousada bandida de Cameron Diaz em “Gangues de Nova York” (2002), que mistura Japão (quimono), França (corselet) e Espanha (xale de franjas) no mesmo modelito, quando serve de alvo para um atirador de facas. Bravo!

Um comentário:

  1. Ah! Eu adoro a Marie Rucki. Adorei a palestra!O Contexto foi super legal.
    Milena Canonero é uma inspiração.;}

    Um grande beijo!

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Eu estou muito contente com sua participação...aprender é compartilhar o saber.

beijos jo souza

EM 2011

EM 2011